Preço do metro quadrado nas capitais: FipeZAP de outubro de 2026
O índice subiu 0,48% no mês e 5,44% em 12 meses, com Vitória no topo e Curitiba quase parada.
Neste artigo
O preço do metro quadrado nas capitais e nas demais cidades acompanhadas pelo Índice FipeZAP subiu 0,48% em outubro de 2026 e chegou a R$ 10.065 em média, segundo o informe de outubro da Fipe. Em 12 meses, a alta é de 5,44%, pouco acima da inflação, com Vitória no topo do ranking (12,32%) e Curitiba praticamente parada (0,22%).
O ritmo diminuiu em relação a setembro, quando o índice tinha subido 0,58%. O preço não caiu: ele só sobe mais devagar, num momento em que o crédito ficou mais caro. Abaixo estão os números por capital, o que eles significam em reais e como usar isso numa negociação.
Preço do metro quadrado em outubro de 2026: os números principais
Resposta curta: alta de 0,48% no mês, 4,54% no ano e 5,44% em 12 meses, com o metro quadrado médio em R$ 10.065.
O Índice FipeZAP mede o preço pedido em anúncios de imóveis residenciais em 56 cidades. Ele não registra o valor fechado em cartório, e a própria Fipe faz essa ressalva. Mesmo assim, é a série mais usada para acompanhar a direção do mercado residencial.
| Indicador | Outubro de 2026 |
|---|---|
| Variação no mês | +0,48% (setembro: +0,58%) |
| Acumulado no ano | +4,54% |
| Acumulado em 12 meses | +5,44% |
| Preço médio anunciado | R$ 10.065/m² |
| Cidades com alta no mês | 44 de 56 |
| Capitais com alta no mês | 19 de 22 |
Fonte: informe FipeZAP de venda residencial de outubro de 2026. A contagem de cidades e capitais com alta está na reportagem do Portas de 5 de novembro de 2026.
Para comparação, a variação em 12 meses até setembro era de 5,51%, como mostramos em preço dos imóveis 2026. A diferença é pequena, mas confirma a perda de fôlego.
Ranking das capitais: onde o metro quadrado mais subiu
Resposta curta: Vitória, Brasília e Aracaju lideram em 12 meses; Campo Grande é a única capital com queda no período.
A tabela abaixo traz as 22 capitais monitoradas, ordenadas pela variação em 12 meses até outubro de 2026.
| Capital | Variação em 12 meses | Variação em outubro | Preço médio (R$/m²) |
|---|---|---|---|
| Vitória (ES) | +12,32% | +0,21% | 15.938 |
| Brasília (DF) | +11,60% | +1,85% | 10.646 |
| Aracaju (SE) | +11,57% | +1,99% | 5.992 |
| Fortaleza (CE) | +10,45% | +1,11% | 9.767 |
| Manaus (AM) | +10,30% | +0,03% | 7.862 |
| Salvador (BA) | +10,16% | +0,06% | 8.696 |
| Florianópolis (SC) | +8,61% | +0,61% | 13.690 |
| Recife (PE) | +8,20% | +1,49% | 9.179 |
| São Luís (MA) | +8,06% | +1,17% | 9.055 |
| Teresina (PI) | +7,70% | +1,06% | 6.139 |
| Natal (RN) | +7,68% | +0,03% | 6.467 |
| João Pessoa (PB) | +7,48% | +0,34% | 8.460 |
| Goiânia (GO) | +6,34% | +0,04% | 8.531 |
| Cuiabá (MT) | +6,05% | +1,28% | 7.193 |
| Rio de Janeiro (RJ) | +5,80% | +0,62% | 11.372 |
| Belém (PA) | +5,01% | -0,59% | 8.779 |
| Maceió (AL) | +4,56% | +0,08% | 10.069 |
| São Paulo (SP) | +3,59% | +0,40% | 12.254 |
| Belo Horizonte (MG) | +0,89% | +0,09% | 10.696 |
| Porto Alegre (RS) | +0,76% | +0,43% | 7.577 |
| Curitiba (PR) | +0,22% | -0,43% | 11.716 |
| Campo Grande (MS) | -0,60% | -1,72% | 6.609 |
Fonte: Índice FipeZAP, outubro de 2026.
Dois grupos ficam claros. De um lado, capitais do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste, além de Vitória e Florianópolis, com alta de 6% a 12%. Do outro, Sul e Sudeste tradicionais (São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba) com valorização bem menor. No mês, as maiores altas foram de Aracaju, Brasília e Recife, e as quedas vieram de Campo Grande, Belém e Curitiba.
Quanto isso significa em reais
Resposta curta: num apartamento de 70 m², a alta de 12 meses vai de quase nada em Curitiba a mais de R$ 120 mil em Vitória.
Percentual sozinho engana. Para dar escala, fizemos uma simulação com um apartamento de 70 m² ao preço médio anunciado de cada capital.
Premissas da simulação: 70 m² multiplicados pelo preço médio de outubro de 2026; o valor de 12 meses atrás foi obtido descontando a variação acumulada do índice. São preços médios de anúncio, não avaliação de um imóvel específico. Cálculos feitos em código e arredondados.
| Capital | Valor estimado de 70 m² (out/2026) | Quanto subiu em 12 meses |
|---|---|---|
| Vitória | R$ 1.115.660 | R$ 122.373 |
| Florianópolis | R$ 958.300 | R$ 75.969 |
| São Paulo | R$ 857.780 | R$ 29.727 |
| Curitiba | R$ 820.120 | R$ 1.800 |
| Rio de Janeiro | R$ 796.040 | R$ 43.639 |
| Belo Horizonte | R$ 748.720 | R$ 6.605 |
| Brasília | R$ 745.220 | R$ 77.460 |
| Média nacional | R$ 704.550 | R$ 36.350 |
| Porto Alegre | R$ 530.390 | R$ 4.001 |
| Aracaju | R$ 419.440 | R$ 43.497 |
O dado mais útil para quem compra está na última coluna. Em Brasília e em Florianópolis, quem adiou a compra em um ano viu o mesmo imóvel ficar uns R$ 75 mil mais caro. Em Curitiba e em Porto Alegre, a espera custou pouco, e o comprador hoje tem mais espaço para negociar.
Se você quer saber o peso do imposto de transmissão sobre esses valores, a calculadora de ITBI faz a conta para a sua cidade.
O imóvel ganhou da inflação?
Resposta curta: na média nacional, por pouco; em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, não.
O informe da Fipe compara o índice com a inflação de 12 meses. Usando a prévia de outubro (IPCA-15), o IPCA acumulado ficou em 4,82%, e o IGP-M, em 5,24%, segundo o próprio documento. A conta do ganho real (feita por nós, dividindo um índice pelo outro) dá:
- Contra o IPCA: ganho real de cerca de 0,59% em 12 meses.
- Contra o IGP-M: ganho real de cerca de 0,19%.
Nas capitais que subiram menos, o resultado é negativo. Descontado o IPCA de 4,82%, o preço anunciado caiu em termos reais cerca de 1,2% em São Paulo, 3,7% em Belo Horizonte, 3,9% em Porto Alegre e 4,4% em Curitiba.
O IGP-M de outubro, que reajusta muitos contratos de aluguel, foi de 1,47% no mês e 5,24% em 12 meses, de acordo com a FGV IBRE. Os números atualizados de inflação e juros ficam na página de indicadores.
Por que a valorização perdeu ritmo
Resposta curta: crédito mais caro e Selic parada em 13,75% tiram força da demanda financiada.
A desaceleração de outubro coincide com dois movimentos no crédito. No fim do mês, Bradesco, Itaú e Santander subiram as taxas mínimas do financiamento imobiliário, como detalhamos em taxa de financiamento imobiliário 2026. E, em 4 de novembro, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano e interrompeu os cortes, segundo o comunicado do Banco Central.
Com parcela maior, menos famílias passam na análise de renda, e o vendedor encontra menos compradores dispostos a pagar o preço pedido. O efeito aparece primeiro nos mercados mais caros e mais dependentes de financiamento. Já explicamos o impacto da decisão em Copom mantém Selic em 13,75%.
Uma ressalva: o índice capta o preço de anúncio. Em mercado mais lento, o desconto na mesa de negociação tende a crescer antes de o preço anunciado cair. Ou seja, a desaceleração real pode ser um pouco maior do que a série mostra.
O que fazer com esses números na prática
Resposta curta: use o preço médio da sua capital como referência de partida, não como preço justo do imóvel que você quer.
Algumas leituras práticas:
- Compare o metro quadrado do anúncio com a média da cidade. Um apartamento anunciado 20% acima da média precisa justificar a diferença (localização, vaga, andar, estado de conservação).
- Nas capitais com alta baixa, negocie com mais firmeza. Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Campo Grande mostram preços quase parados. Proposta abaixo do pedido tem mais chance de ser ouvida.
- Nas capitais aquecidas, decida rápido, mas sem pular a documentação. Pressa não justifica deixar de checar matrícula e certidões.
- Faça a conta da parcela antes de visitar. Com o crédito mais caro, o limite é a renda. O simulador de financiamento mostra quanto cabe no seu orçamento.
Para quem pensa em comprar para alugar, a rentabilidade do aluguel também entra na conta. No informe de setembro de 2026, a Fipe calculou a rentabilidade média do aluguel residencial em 6,13% ao ano. A ferramenta de rentabilidade do aluguel ajuda a fazer a conta para um imóvel específico.
Perguntas frequentes
Qual capital tem o metro quadrado mais caro em outubro de 2026?
Vitória, com média de R$ 15.938/m², seguida de Florianópolis (R$ 13.690) e São Paulo (R$ 12.254), segundo o Índice FipeZAP. A mais barata entre as capitais é Aracaju, com R$ 5.992/m².
O preço dos imóveis está caindo?
Não na média. O índice subiu 0,48% em outubro e 5,44% em 12 meses. O que caiu foi o ritmo. Campo Grande é a única capital com queda em 12 meses (-0,60%).
O FipeZAP mostra o preço de venda real?
Não exatamente. Ele usa o preço pedido em anúncios, e o valor fechado costuma ser menor por causa da negociação. Serve bem para ver tendência e comparar cidades.
Quando sai o próximo índice FipeZAP?
A Fipe publica o informe de venda no início de cada mês, com os dados do mês anterior. Pelo calendário habitual, o de novembro sai no começo de dezembro de 2026.
Conclusão
Outubro mostrou um mercado que segue subindo, mas cada vez mais desigual. Em parte do Nordeste, em Brasília e em Vitória, o metro quadrado avança acima de 10% ao ano. Em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, os preços perdem para a inflação. Com Selic em 13,75% e bancos cobrando mais no crédito, a tendência mais provável no curto prazo é de valorização moderada, o que favorece quem compra com calma e negocia com dados na mão.
Imagem de capa: Giovana Gomes / Unsplash, licença Unsplash.
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