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Financiamento imobiliário SBPE cai 19,7% em setembro: o que explica

Os dados da Abecip mostram o crédito com poupança perdendo fôlego no mês, ainda acima de 2025 no acumulado, e os bancos subindo juros logo depois.

Redação Sinal ImobiliárioPublicado em 8 min de leitura
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Prédios residenciais e comerciais em São Paulo, mercado do financiamento imobiliário SBPE
Neste artigo
  1. Os números do financiamento imobiliário SBPE em setembro
  2. Por que o crédito com poupança perdeu força
  3. A alta de juros dos bancos veio depois
  4. O que muda para quem vai financiar agora
  5. O que acompanhar nas próximas semanas
  6. Perguntas frequentes
  7. Conclusão

O financiamento imobiliário SBPE, feito com dinheiro da caderneta de poupança, somou R$ 13,62 bilhões em setembro de 2026, uma queda de 19,7% em relação a agosto e de 13,7% sobre setembro de 2025, segundo o boletim mensal da Abecip divulgado em 30 de outubro. Mesmo assim, de janeiro a setembro o crédito com poupança chegou a R$ 146,1 bilhões, 30,3% acima do mesmo período do ano passado.

Ou seja: o ano ainda é forte, mas setembro mostrou a primeira freada mais nítida. E ela veio antes da alta de juros que Bradesco, Itaú e Santander anunciaram na última semana de outubro. Abaixo estão os números, o que eles dizem sobre a oferta de crédito e o que muda para quem está com uma proposta de financiamento na mão.

Os números do financiamento imobiliário SBPE em setembro

Resposta curta: caiu o valor financiado, caiu mais ainda o número de imóveis, e o crédito com recursos livres dos bancos segue muito abaixo de 2025.

A tabela resume o boletim da Abecip referente a setembro de 2026:

IndicadorSetembro de 2026Variação no mêsVariação em 12 meses
Valor financiado (SBPE)R$ 13,62 bilhões-19,7%-13,7%
Imóveis financiados (SBPE)34,9 mil-25,3%-24,4%
Valor financiado (recursos livres)R$ 1,64 bilhão+25,4%-60,6%
Imóveis financiados (recursos livres)9,3 mil+10,3%-61%

No acumulado, a fotografia é outra:

  • Janeiro a setembro de 2026: R$ 146,1 bilhões e 419,6 mil imóveis pelo SBPE (altas de 30,3% e 27,4%).
  • Últimos 12 meses (outubro de 2025 a setembro de 2026): R$ 190,3 bilhões e cerca de 547,9 mil imóveis (altas de 20% e 20,6%).
  • Recursos livres no ano: R$ 12,77 bilhões, queda de 39,3%.

Um detalhe que passa despercebido: o número de imóveis caiu mais que o valor. Dividindo um pelo outro (conta nossa, com os dados da Abecip), o valor médio por imóvel financiado em setembro ficou perto de R$ 390 mil, contra cerca de R$ 348 mil na média de janeiro a setembro. Esse número mistura aquisição e construção, então não é o preço médio do imóvel, mas sugere que o crédito do mês se concentrou em operações maiores.

Por que o crédito com poupança perdeu força

Resposta curta: a poupança continua perdendo dinheiro e o custo de captação dos bancos subiu, o que deixa o crédito mais caro e mais seletivo.

A caderneta é a principal fonte do financiamento imobiliário no Brasil. Quando sai mais dinheiro do que entra, sobra menos para emprestar a taxas reguladas. Em setembro, os saques superaram os depósitos em R$ 6,2 bilhões, segundo a Abecip. É metade da saída de setembro de 2025 (R$ 11,7 bilhões), mas foi o quarto mês seguido no vermelho, como mostrou o Portas com dados do Banco Central.

Poupança SBPEValor
Captação líquida em setembro de 2026-R$ 6,2 bilhões
Captação líquida de janeiro a setembro de 2026-R$ 53,2 bilhões
Mesmo período de 2025-R$ 60,1 bilhões
Saldo em setembro de 2026R$ 755,8 bilhões

O saldo da caderneta ficou praticamente parado: recuo de 0,18% no mês e alta de 0,10% em 12 meses. Só não caiu mais porque os rendimentos creditados seguram parte da perda.

A outra peça é o novo modelo de uso da poupança no crédito, que está em fase de transição. Na apresentação de julho de 2026, a Abecip calculou que o direcionamento da poupança para a habitação chegou a 70% em 2026, com a liberação do compulsório, contra 65% na regra anterior. A mesma apresentação já alertava que a alta da curva de juros prefixada elevou o custo marginal de captação. Se você quer entender a mudança em detalhe, explicamos aqui como funciona o novo modelo de crédito imobiliário com poupança.

Na prática, o banco empresta a parte "barata" (da poupança) e completa com dinheiro captado no mercado, via LCI e outros papéis, que hoje custa bem mais. Quanto mais a caderneta encolhe, maior a fatia cara.

A alta de juros dos bancos veio depois

Resposta curta: os números de setembro ainda não captam o reajuste de taxas do fim de outubro, então outubro e novembro tendem a mostrar o efeito.

Na última semana de outubro, os três maiores bancos privados subiram as taxas mínimas do financiamento imobiliário. Segundo o Diário do Comércio, em reportagem de 30 de outubro, o Itaú passou a cobrar a partir de 12,95% ao ano mais TR desde 29 de outubro, e o Santander a partir de 12,49% mais TR desde 30 de outubro. No Bradesco, a taxa de balcão chegou a 15% ao ano mais TR, segundo reportagem do g1 reproduzida pelo Piranot, e a linha Private foi para 13,60%, como também detalhamos no quadro que publicamos em taxa de financiamento imobiliário 2026: quanto cobra cada banco.

O peso desses três bancos é grande. Ainda de acordo com o Diário do Comércio, com base na Abecip, Bradesco, Itaú e Santander somaram cerca de R$ 74 bilhões em crédito SBPE de janeiro a setembro, pouco mais da metade dos R$ 146,1 bilhões do período. A Caixa concedeu R$ 68,8 bilhões e, até a data da reportagem, não havia anunciado mudança de taxa. Pelos dados do Banco Central citados no texto, a taxa média da Caixa no SBPE foi de 12,05% ao ano mais TR em setembro.

O motivo apontado pelos bancos é o mesmo: os juros futuros subiram depois da eleição, e é neles que se baseia o custo de captação. A Selic, de 13,75% ao ano, conta menos aqui do que a curva de juros longa. Discutimos esse descompasso em pausa na Selic: o que o Copom desta semana muda no financiamento.

O que muda para quem vai financiar agora

Resposta curta: a parcela de entrada sobe algumas centenas de reais por mês com as novas taxas, e a Caixa vira a referência de comparação.

Para dar ordem de grandeza, fizemos uma simulação simples. Premissas: financiamento de R$ 400 mil em 360 meses, tabela SAC, sem seguros e taxas administrativas, e TR fora da conta da primeira parcela. É uma simulação, não uma oferta de banco.

Taxa de juros (ao ano, mais TR)Primeira parcela estimada
11,69% (taxa mínima anterior de um grande banco privado)R$ 4.813
12,05% (taxa média da Caixa no SBPE em setembro)R$ 4.922
13,60%R$ 5.384

Entre 11,69% e 13,60%, a primeira parcela sobe cerca de R$ 570 por mês. Para o banco, isso também muda a análise de renda: com a parcela limitada a uma fatia da renda familiar, quem estava no limite pode precisar de entrada maior ou de um imóvel mais barato. Você pode refazer a conta com os seus números no simulador de financiamento imobiliário.

Três atitudes práticas para este momento:

  1. Peça proposta em mais de um banco. Com taxas mudando em dias, a diferença entre o melhor e o pior balcão ficou grande.
  2. Compare o custo efetivo total, não só a taxa. Seguros e tarifas pesam, e o CET é o número que permite comparar bancos de igual para igual.
  3. Se a proposta já foi aprovada, confira a validade. Uma taxa aprovada antes do reajuste pode valer mais do que parece, desde que o prazo de contratação ainda esteja aberto.

O que acompanhar nas próximas semanas

Resposta curta: a decisão do Copom de 4 de novembro, os dados de outubro da Abecip e o comportamento da Caixa.

  • Copom: o comunicado de quarta-feira (4) vai indicar se a pausa nos cortes da Selic é longa ou curta. Isso mexe nos juros futuros, que é o que os bancos olham.
  • Boletim de outubro da Abecip: deve sair no fim de novembro e será o primeiro a capturar o efeito do reajuste dos bancos privados.
  • Caixa: como a maior financiadora do país, qualquer mudança de taxa dela tem efeito direto em quem compra imóvel até o teto do SFH.
  • Poupança: se a captação líquida seguir negativa, a pressão sobre o custo do crédito continua, mesmo com a Selic estável.

Os demais números de juros, inflação e preços de imóveis ficam atualizados na página de indicadores.

Perguntas frequentes

O que é o SBPE?

É o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, que usa os depósitos da caderneta para financiar imóveis. Ele responde pela maior parte do crédito imobiliário fora do FGTS e do Minha Casa Minha Vida.

Por que a saída de dinheiro da poupança encarece o financiamento?

Porque a poupança é a fonte mais barata dos bancos para esse crédito. Quando ela encolhe, os bancos precisam captar no mercado a taxas maiores e repassam parte desse custo ao cliente.

O financiamento imobiliário caiu em 2026?

No acumulado, não. De janeiro a setembro de 2026, o SBPE financiou R$ 146,1 bilhões, 30,3% acima de 2025. A queda foi no mês de setembro, na comparação com agosto e com setembro do ano passado.

Vale esperar os juros caírem para financiar?

Depende do seu prazo e da sua renda. Com a curva de juros em alta, não há data provável para queda nas taxas dos bancos. Quem tem urgência deve comparar propostas agora e lembrar que a portabilidade permite trocar de banco depois, se as taxas recuarem.

Conclusão

Setembro mostrou um crédito imobiliário que ainda cresce no ano, mas já sente o aperto da poupança e do custo de captação. O reajuste dos bancos privados no fim de outubro reforça essa tendência, e os números de outubro devem deixar isso mais claro. Para quem vai comprar, o recado é objetivo: a taxa de balcão deixou de ser parecida entre bancos, e comparar propostas virou a decisão que mais pesa na parcela.

Imagem de capa: Carlos Kenobi / Unsplash, licença Unsplash.

Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento. Encontrou um erro? Fale com a redação.

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