Selic13,75% a.a.ref. 11/2026IPCA 12m4,58%ref. 09/2026INCC 12m6,75%ref. 10/2026IGP-M 12m5,24%ref. 10/2026Focus: Selic fim de ano13,50% a.a.ref. 11/2026
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Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe cortes: o que muda no financiamento

Decisão unânime de 4 de novembro de 2026 encerra cinco cortes seguidos e não dá pistas sobre dezembro.

Redação Sinal ImobiliárioPublicado em 8 min de leitura
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Edifício-sede do Banco Central do Brasil em Brasília, onde o Copom decidiu manter a Selic em 13,75% em novembro de 2026
Neste artigo
  1. O que o Copom decidiu em novembro de 2026
  2. Por que o Banco Central parou de cortar
  3. O que os economistas esperam daqui para frente
  4. Juro real perto de 9%: por que o crédito segue caro
  5. O que muda na parcela do financiamento
  6. Comprar agora ou esperar a Selic cair?
  7. Perguntas frequentes
  8. Conclusão

O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira, 4 de novembro de 2026, por unanimidade, e interrompeu a sequência de cinco cortes seguidos. Para quem vai financiar um imóvel, a decisão do Copom de novembro confirma que o crédito não deve ficar mais barato tão cedo: o comunicado não deu nenhuma pista de quando os cortes podem voltar.

A pausa já era a aposta da maioria do mercado. O que pesou foi o tom do texto, mais duro do que em setembro. Abaixo você vê o que o Banco Central disse, quanto o juro real ficou alto e o que isso muda na parcela, na poupança e na hora de fechar negócio.

O que o Copom decidiu em novembro de 2026

Resposta curta: Selic parada em 13,75%, decisão unânime e nenhuma indicação sobre os próximos passos.

Foi a 282ª reunião do comitê. A taxa básica tinha caído de 15% para 13,75% ao ano em cinco cortes de 0,25 ponto, o último em 16 de setembro, como registrou a Agência Brasil. Agora o ciclo parou.

Votaram pela manutenção Gabriel Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Vivan, Izabela Correa, Nilton David, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira, segundo o ND+. Às vésperas da reunião, 24 analistas ouvidos pela Bloomberg esperavam manutenção e 5 ainda projetavam corte, de acordo com o Diário do Comércio.

ItemSetembro de 2026Novembro de 2026
DecisãoCorte de 0,25 pontoManutenção
Selic13,75% a.a.13,75% a.a.
VotaçãoUnânimeUnânime
Projeção de inflação do Copom no horizonte relevante3,2% (1º tri de 2028)3,5% (2º tri de 2028)
Focus: IPCA de 2026 e 2027 citado no comunicadonão se aplica5,2% e 4,8%

Fontes: comunicado do Copom de 04/11/2026 e ata de setembro de 2026, ambos do Banco Central. Os índices atualizados ficam na página de indicadores.

Por que o Banco Central parou de cortar

Resposta curta: inflação acima do teto, expectativas piorando e um cenário externo mais pesado.

O comunicado oficial lista os motivos com clareza. No exterior, o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio pressiona petróleo e derivados, e os juros seguem altos nas economias avançadas. Aqui dentro, a inflação cheia e a média dos núcleos aceleraram e estão acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta, que é de 4,5%.

As expectativas também se afastaram do alvo. A pesquisa Focus citada pelo BC aponta IPCA de 5,2% em 2026 e 4,8% em 2027, contra meta de 3%. E a projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028 subiu para 3,5%.

Entre os riscos de alta, o texto menciona expectativas desancoradas por mais tempo, inflação de serviços resistente e um câmbio persistentemente mais depreciado. O comitê também diz que acompanha como a política fiscal afeta os ativos financeiros. A frase que resume o momento, nas palavras do BC, é de um "cenário desafiador para a política monetária".

Um detalhe importante para quem vai tomar crédito: o comunicado descreve a Selic como "substancialmente contracionista". Isso significa que o BC considera os juros altos o bastante para frear a economia, e que pretende mantê-los assim enquanto a inflação não ceder.

O que os economistas esperam daqui para frente

Resposta curta: a leitura predominante é de Selic parada por um bom tempo.

Segundo o ND+, o economista-chefe do Banco Bmg, Flávio Serrano, atribuiu a pausa à piora das expectativas, ao cenário externo e às condições fiscais, e espera juros estáveis por um período longo. Caio Megale, economista-chefe da XP, projeta Selic em 13,75% até o fim de 2027. Vitor Kayo, da Nomad, chamou a decisão de uma pausa que deixa a porta aberta, com os próximos passos dependendo dos dados.

O comitê volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro, último encontro do ano. A ata desta reunião sai na terça-feira, 10 de novembro, conforme o calendário do Banco Central. Até lá, o Boletim Focus da segunda-feira mostra se o mercado vai rever a Selic esperada para o fim do ano. Explicamos como ler o boletim em Boletim Focus e Selic.

Juro real perto de 9%: por que o crédito segue caro

Resposta curta: descontada a inflação, a Selic ainda paga cerca de 8 a 9 pontos acima dos preços.

O juro real mostra quanto o dinheiro rende (ou custa) depois da inflação. A conta é feita dividindo um mais a Selic por um mais a inflação, e não por simples subtração. Calculamos dois recortes:

Base de inflaçãoInflaçãoJuro real com Selic de 13,75%
IPCA acumulado em 12 meses até setembro de 2026 (IBGE)4,58%8,77% ao ano
Expectativa Focus para o IPCA de 2026 (citada no comunicado)5,2%8,13% ao ano
Expectativa Focus para o IPCA de 2027 (citada no comunicado)4,8%8,54% ao ano

Com juro real nesse nível, captar dinheiro por 20 ou 30 anos continua caro para os bancos, e eles repassam isso para a taxa do financiamento. Um exemplo direto: a poupança, que financia boa parte do crédito habitacional, segue pagando 0,5% ao mês mais TR (cerca de 6,17% ao ano mais TR), regra que vale sempre que a Selic está acima de 8,5%, conforme a Lei 12.703/2012. Com a renda fixa pagando bem mais, a poupança perde recursos, e sobra menos dinheiro barato para empréstimo.

O que muda na parcela do financiamento

Resposta curta: a decisão em si não mexe no seu contrato, mas tira do horizonte a esperança de taxas menores no curto prazo.

Contratos já assinados com taxa fixa mais TR não mudam por causa do Copom. Quem ainda vai contratar encontra uma tabela que já subiu antes da reunião. No fim de outubro, Bradesco, Itaú e Santander elevaram a taxa mínima do crédito imobiliário, segundo o InfoMoney. Até aquela reportagem, a Caixa não havia anunciado mudança.

A simulação abaixo usa as taxas mínimas publicadas depois do reajuste. Premissas: R$ 400 mil financiados, 360 meses, tabela SAC, taxa anual convertida para mensal, sem TR, seguros ou tarifas, e renda mínima estimada com parcela de até 30% da renda bruta. Os valores foram calculados em código e servem só como referência.

Banco (taxa mínima após reajuste de outubro)Taxa ao ano + TR1ª parcela (SAC)Juros totais no contratoRenda bruta mínima estimada
Santander12,49%R$ 5.054R$ 711,6 milR$ 16,8 mil
Itaú12,95%R$ 5.191R$ 736,4 milR$ 17,3 mil
Bradesco15%R$ 5.797R$ 845,8 milR$ 19,3 mil

A diferença entre o banco mais barato e o mais caro da tabela passa de R$ 740 na primeira parcela e chega a R$ 134 mil em juros no contrato inteiro. Com a Selic parada, esse é o ganho que está ao seu alcance. O quadro completo por banco está em taxa de financiamento imobiliário 2026, e você pode testar o seu caso no simulador de financiamento imobiliário.

Comprar agora ou esperar a Selic cair?

Resposta curta: esperar não garante taxa melhor; comparar bancos e reforçar a entrada garante.

Se o próprio mercado passou a trabalhar com Selic de 13,75% por vários meses, adiar a compra à espera de crédito barato pode sair caro, principalmente se o imóvel subir de preço no período. Algumas atitudes fazem mais diferença do que acertar o próximo Copom:

  1. Cote em pelo menos três bancos e compare o CET, o custo efetivo total com seguros e tarifas. Mostramos como em CET no financiamento imobiliário.
  2. Aumente a entrada se puder. Cada R$ 50 mil a menos no valor financiado reduz a parcela e a renda exigida.
  3. Pergunte a validade da taxa aprovada. Com a curva de juros instável, a tabela pode mudar antes da assinatura.
  4. Lembre da portabilidade. Se os juros caírem no futuro, você pode levar o contrato para outro banco. Explicamos o passo a passo em portabilidade de financiamento imobiliário.

Para quem investe, a conta também muda pouco: com juro real perto de 9%, a renda fixa segue como forte concorrente do aluguel. Fizemos a comparação em imóvel ou renda fixa com a Selic alta.

Perguntas frequentes

Qual é a Selic hoje?

13,75% ao ano, mantida pelo Copom em 4 de novembro de 2026. A taxa vale até a próxima decisão, em 9 de dezembro.

A manutenção da Selic aumenta a parcela de quem já financiou?

Não. Contratos com taxa fixa mais TR seguem com a mesma taxa. Só quem tem contrato atrelado a índice variável, como IPCA ou poupança, sente a variação desse índice, e não a decisão do Copom diretamente.

Quando sai a ata do Copom de novembro?

Na terça-feira, 10 de novembro de 2026, no site do Banco Central. Ela detalha os argumentos do comitê e costuma ser lida em busca de sinais sobre dezembro.

A Selic pode voltar a cair em dezembro?

O comunicado não deu indicação nesse sentido e economistas como os do Bmg e da XP esperam juros estáveis por mais tempo. Qualquer mudança vai depender da inflação, do câmbio e das expectativas até a reunião de 8 e 9 de dezembro.

A poupança rende mais com a Selic em 13,75%?

Não. Com a Selic acima de 8,5%, a poupança fica travada em 0,5% ao mês mais TR, independentemente do nível exato da taxa básica.

Conclusão

A pausa do Copom em 13,75% oficializa o que o mercado já vinha precificando, mas o recado do comunicado é o que pesa: inflação acima do teto, expectativas piorando e nenhuma promessa de novos cortes. Para quem compra imóvel, o caminho prático é tratar a taxa atual como referência dos próximos meses e buscar economia onde ela existe, na comparação entre bancos e no tamanho da entrada.

Imagem de capa: Jonas Pereira / Agência Senado, via Wikimedia Commons, licença CC BY 2.0.

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